
É apenas um sentimento refletido da comparação entre o mundo real e o mundo hipotético, criado e perfeito. Apenas mais um efeito de uma decepção ao descobrir que o que achávamos que existia na verdade é uma grande farsa e o real é um outro, que não criamos, que não escolhemos, mas que nos é imposto e nada podemos fazer.
Inacreditável quantas vezes somos capazes de criarmos essa perfeição ilusória, em diferentes épocas, em diferentes situações, porém uma ilusão sempre semelhante a anterior. Como é possível uma recriação após o choque? Não há amnésia, há apenas mais oportunidade de ignorar os fatos e entrar novamente em um mundo a qual jamais pertenceríamos, já que não existe.
Eu jamais vivi na fantasia do real, eu vivo na realidade da invenção. É lá aonde eu me identifico, um lugar acima dos outros, é lá que eu moro, minha vida está lá e é lá que eu sou quem eu realmente sou. No meu mundo da realidade que eu deixo de lado a minha balaclava e posso deixar a mostra mais do que os olhos, que no mundo da fantasia real só servem para observar.
A felicidade desse lugar de origem não é prolongada, pois sempre somos obrigados a descer e a queda costuma ser dolorosa e traz efeitos prolongados. As quedas estão cada vez mais marcantes e as cicatrizes demoram a desaparecer, não sei se é por o mundo da fantasia real estar cada vez mais abaixo ou se a realidade da invenção está acima, não importa.
Não concluirei com o raciocínio lógico, seguindo as premissas do pensamento escrito, afirmando que se este mundo perfeito e real, real para mim, não existe, e se é lá que vivo e sou quem eu sou, logo eu não existo ou sou ninguém, na realidade. Lógicas não fazem sentido sempre, conclusões baseadas em premissas não devem ser absolutas.
Tampouco tenho certeza se as decepções, as quedas e as marcas são reais. Não quero ter certeza de nada. É apenas mais um sentimento causado pela comparação de dois pólos que, indubitavelmente, não têm comparações.